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Traduzir um texto em uma língua falada para uma língua sinalizada ou vice-versa é traduzir um texto vivo, uma linguagem viva. Acima de tudo deve haver um conhecimento coloquial da língua para dar ao texto fluidez e naturalidade ou solenidade e sobriedade se ele for desse jeito.

Catford (1980) define tradução da seguinte forma:

Tradução pode definir-se como a substituição de material textual numa língua (LF) por material textual equivalente noutra língua (LM). (...) 0 termo equivalente é sem dúvida uma palavra chave (...) Uma tarefa central em teoria de tradução consiste em definir a natureza e as condições da equivalência de tradução.

Roberts (1992) apresenta seis categorias para analisar o processo de interpretação que serão destacadas a seguir por apresentarem as competências de um profissional tradutor-intérprete:

(1) competência lingüística - habilidade em manipular com as línguas envolvidas no processo de interpretação (habilidades em entender o objetivo da linguagem usada em todas as suas nuanças e habilidade em expressar corretamente, fluentemente e claramente a mesma informação na língua alvo), os intérpretes

precisam ter um excelente conhecimento de ambas as línguas envolvidas na interpretação (ter habilidade para distinguir as idéias principais das idéias secundárias e determinar os elos que determinam a coesão do discurso).

(2) competência para transferência - não é qualquer um que conhece duas línguas que tem capacidade para transferir a linguagem de uma língua para a outra; essa competência envolve habilidade para compreender a articulação do significado no discurso da língua fonte, habilidade para interpretar o significado da língua fonte para a língua alvo (sem distorções, adições ou omissões), habilidade para transferir uma mensagem na língua fonte para língua alvo sem influência da língua fonte e habilidade para transferir da língua fonte para língua alvo de forma apropriada do ponto de vista do estilo.

(3) competência metodológica - habilidade em usar diferentes modos de interpretação (simultâneo, consecutivo, etc), habilidade para escolher o modo apropriado diante das circunstâncias, habilidade para retransmitir a interpretação, quando necessário, habilidade para encontrar o item lexical e a terminologia adequada avaliando e usando-os com bom senso, habilidade para recordar itens lexicais e terminologias para uso no futuro.

(4) competência na área - conhecimento requerido para compreender o conteúdo de uma mensagem que está sendo interpretada.

(5) competência bicultural - profundo conhecimento das culturas que subjazem as línguas envolvidas no processo de interpretação (conhecimento das crenças, valores, experiências e comporta-mentos dos utentes da língua fonte e da língua alvo e apreciação das diferenças entre a cultura da língua fonte e a cultura da língua alvo).

(6) competência técnica - habilidade para posicionar-se apropriada-mente para interpretar, habilidade para usar microfone e habilidade para interpretar usando fones, quando necessário.


São várias as categorias apresentadas demonstrando, portanto, a complexidade do processo em que o profissional intérprete está envolvido. Além de tais competências, o intérprete de língua de sinais está diante de processamento de informação simultânea. Assim, apresentar-se-ão algumas propostas de modelos de processamento no ato da tradução e interpretação.

Modelo Cognitivo

Três passos a serem seguidos pelo intérprete no modelo cognitivo:

(1) Entender a mensagem na língua fonte

(2) Ser capaz de internalizar o significado na língua alvo

(3) Ser capaz de expressar a mensagem na língua alvo sem lesar a mensagem transmitida na língua fonte.


0 processo pelo qual o intérprete passa, apresenta os seguintes passos:

Mensagem original > Recepção e compreensão > Análise e internalização > Expressão e avaliação > Mensagem interpretada para a língua alvo

Modelo Interativo

0 modelo interativo aponta os componentes que afetam a interpretação. São eles:

a) participantes: iniciador; receptor e o intérprete (e talvez ainda o "relay")


b) mensagem

c) ambiente (contexto físico ou psicológico)

d) interações (os efeitos de cada categoria depende demais)




Diante de tais aspectos, os intérpretes devem considerar os seguintes aspectos:

(1) como a mensagem está sendo interpretada (simultaneamente ou consecutivamente);

(2) o espaço de sinalização que está sendo usado (amplo ou reduzido de acordo com a audiência);

(3) fatores físicos (como iluminação e ruídos);

(4) feedback da audiência (movimento da cabeça e linguagem corporal);

(5) decisões em nível lexical, sintático e semântico;



Modelo Interpretativo

0 intérprete deve entender as palavras e sinais para expressar seus significados corretamente na língua alvo. Interpretar é passar o SENTIDO da mensagem da língua fonte para a língua alvo.

Modelo Comunicativo

A mensagem é codificada para a transmissão. 0 código pode ser o português, a língua de sinais ou qualquer outra forma de comunicação. A mensagem é transmitida através de um CANAL e quando é recebida é CODIFICADA. Qualquer coisa que interfira na transmissão é considerada RUÍDO.

0 intérprete não assume qualquer responsabilidade pela interação ou dinâmica de comunicação, assumindo uma posição de mero transmissor.

Modelo Sociolingüístico

0 aspecto fundamental do processo de tradução e interpretação no modelo sociolingüístico baseia-se nas interações entre os participantes.

O intérprete deve reconhecer o contexto, os participantes, os objetivos e a mensagem. Podem ser consideradas as seguintes categorias:

? a recepção da mensagem;

? processamento preliminar (reconhecimento inicial);

? retenção da mensagem na memória de curto prazo (a mensagem deve ser retida em porções suficientes para então passar ao próximo passo);

? reconhecimento da intenção semântica (o intérprete adianta a intenção do falante);

? determinação da equivalência semântica (encontrar a tradução apropriada na língua);

? formulação sintática da mensagem (seleção da forma apropriada);

? produção da mensagem (o último passo do processo da interpretação).


Modelo do Processo de Interpretação

Os componentes fundamentais do modelo do processo de interpretação são os seguintes:

(1) A análise da mensagem fonte.

(2) A composição da mensagem alvo.


Neste modelo consideram-se os seguintes aspectos:

? habilidade processual (habilidade de compreender a mensagem e construir a mensagem na língua alvo);

? organização processual (monitoramento do tempo, estoque da mensagem em partes, busca de esclarecimento);


? competência lingüística e cultural;

? conhecimento (experiência e formação profissional);

? preparação;

? ambiente (físico e psicológico);

? filtros (hábitos do intérprete, crenças, personalidade e influências).


Modelo Bilíngüe e Bicultural

Neste modelo há uma consideração especial quanto à postura do intérprete e seu comportamento em relação às línguas e culturas envolvidas. Também, o intérprete tem a autonomia de definir seu papel com base em cada contexto.

Quanto ao desenvolvimento de pesquisas na área da interpretação, tem-se como objetivo delinear as características dos bons intérpretes e das boas interpretações. A partir dos resultados, acredita-se que será possível reexaminar os modelos de interpretação e contribuir para a formação de intérpretes.

Algumas conclusões a partir destes modelos:

(1) Ênfase no significado e não nas palavras.

(2) Cultura e contexto apresentam um papel importante em qualquer mensagem.

(3) Tempo é considerado o problema crítico (a atividade é exercida em tempo real envolvendo processos mentais de curto e longo prazos).

(4) Interpretação adequada é definida em termos de como a mensagem original é retida e passada para a língua alvo considerando-se também a reação da audiência.


Os intérpretes devem saber:

? As línguas envolvidas

? Entender as culturas em jogo

? Ter familiaridade com cada tipo de interpretação

? Ter familiaridade com o assunto